Horário: De terça a domingo. Das 09h30 às 12h30 e das 14h00 às 18h00

Rua Abílio Beça, 27

5300 – 011 Bragança

Nadir Afonso é um artista completo: faz Arte, questiona a Arte e reflete sobre a Arte. A sua vida foi marcada pela obsessão da construção artística ancorada na busca do conhecimento, na criação da obra, no estudo e exploração pessoal da Geometria na Arte. Uma vida marcada também pelas suas dificuldades e incapacidade de promoção e integração social.
Um homem cosmopolita nascido em Trás-os-Montes, um pintor da vanguarda que teve o privilégio de privar com figuras como Le Corbusier, Óscar Niemeyer, Victor Vasarely, Fernand Léger, Max Ernest, August Herbin, Cândido Portinari ou Paul Ricoeur.
A obra pictórica e filosófica é de grande abrangência e erudição, possui uma abordagem contemporânea, prima pela originalidade e pela inovação. A par da pintura desenvolveu um estruturado trabalho de reflexão estética com profundidade intelectual, transdisciplinar, que transporta uma nova mensagem, uma nova maneira de encarar a arte.
O Museu do Abade de Baçal abre as suas portas a Nadir Afonso quando passam 100 anos sobre o seu nascimento para receber a exposição Horizontes. A mostra desenvolve-se em três núcleos principais: um núcleo composto de estudos dos períodos barroco e egípcio que correspondem essencialmente à década de 1950; um núcleo de telas que evocam cidades que se estende desde 1965 até ao século XXI; e por último, um núcleo composto de guaches onde se cruza a sugestão da natureza com a figura humana.
O período Barroco é inspirado no barroco português do qual Nadir extrai as formas curvas, contracurvas, e espiraladas, simplificando-as e estilizando-as para servirem de ponto de partida para as suas pinturas. Já o período egípcio que se seguiu a uma viagem ao Egipto nos finais dos anos 1940 caracteriza-se pelas formas sinuosas que se envolvem num dos lados do quadro, para que as retas se prolonguem até ao limite da tela, acompanhadas de leves correntes de ondulação a que, por vezes, se sobrepõem elementos curvos isolados.
O homem contemporâneo é citadino e as cidades são tema presente na pintura de Nadir Afonso ao longo da sua vida artística. As cidades de Nadir são constituídas por arquiteturas de linhas e formas que no conjunto se modelam em volumes num equilíbrio estável; os fundos brancos imperam; as linhas que compõem os edifícios surgem numa simbiose de forma e cor, os traçados geométricos concentrados evocam pontes, jardins, catedrais, em que os horizontes contrastam com a imensidão dos céus e dos oceanos.
Nadir Afonso desde cedo procurou compreender os mecanismos da criação artística, e apreender o que está para além da representação dos objetos. Os seus escritos são textos essenciais para compreender a sua estrutura de pensamento e base teórica. À obra de arte são intrínsecos os atributos quantitativos, como as formas geométricas. Os atributos qualitativos, como a perfeição, a originalidade ou a evocação, são sentidos atribuídos pela leitura da obra e a ela extrínsecos. Apenas nela se conservam quando realçados pela forma intrínseca, exata, matemática. Por serem evolutivos, perdem-se no espaço e no tempo.