Horário: De terça a domingo. Das 09h30 às 12h30 e das 14h00 às 18h00

Coleção

Coleção

A coleção que se encontra na origem do Museu do Abade de Baçal, criado por decreto a 13 de novembro de 1915, integra em grande medida o património pertencente ao antigo Paço Episcopal de Bragança, que o Estado adquiriu em hasta pública tendo em vista a própria criação do Museu, selecionado por José de Figueiredo, bem como as coleções de arqueologia provenientes do Museu Municipal de Bragança, fundado em 1897 por Albino Lopo.

Deste conjunto inicial, maioritariamente formado por obras de arte sacra, muitas das quais se encontravam no Paço Episcopal de Bragança provenientes de diversas Igrejas e de antigos Conventos da região, extintos ao longo do século XIX, são de realçar obras como um raro pluvial do século XVI, algumas esculturas barrocas de inegável qualidade, o tríptico Martírio de Santo Inácio de Antioquia, a Anunciação e a Arca dos Santos Óleos, bem como diversa ourivesaria litúrgica e mobiliário de uso episcopal.

Sob a direção do Abade de Baçal (1925 – 1935), o Museu abre ao público em 1927, iniciando-se um processo de angariação de fundos para a aquisição de peças para o Museu e a musealização de diversas coleções de arqueologia, epigrafia, numismática, etnografia e pintura, a qual é continuada e aprofundada por Raul Teixeira, sucessor do Abade de Baçal na direção do Museu (1935-1955), num processo ainda hoje em curso.

Entre os testemunhos que visam a ilustração da história do Nordeste Transmontano destacam-se os bens provenientes de sociedade pré-históricas, nomeadamente estelas funerárias, vasos e fragmentos cerâmicos, pontas de setas, alabardas, machados, fíbulas e outros objetos, como sejam as figuras zoomórficas esculpidas em granito usualmente denominadas de berrões.

A romanização da região do Nordeste Transmontano encontra-se também bem representada nas coleções do Museu, quer através de estelas funerárias, como também de aras votivas, marcos miliários, instrumentos agrícolas, cerâmicas, objetos de adorno ou coleções de numismática romana.

A importância administrativa desta região é bem evidente em diversos testemunhos que chegaram até aos nossos dias, como os forais manuelinos das diversas cidades e vilas do Nordeste Transmontano, das medidas padrão para sólidos e líquidos, usadas pelos poderes alfandegários para efeitos de fiscalização, a bula papal que assinala a fundação da Catedral de Miranda do Douro, ou as varas dos vereadores e do juiz da comarca de Bragança.

Uma parte significativa da coleção do Museu provém ainda de importantes doações e legados de personalidades da região, como sejam o legado de Sá Vargas, com uma significativa coleção de ourivesaria dos séculos XVIII e XIX e diverso mobiliário, de que se destaca um magnífico contador indo-português, construído com madeiras exóticas e marfim, do século XVII.

O trabalho desenvolvido por Raul Teixeira enquanto diretor do Museu do Abade de Baçal, bem como os seus contactos pessoais junto do meio artístico português, permitiram a incorporação de trabalhos de artistas como Silva Porto, José Malhoa, Aurélia de Sousa, Joaquim Lopes ou Veloso Salgado, que se vieram juntar a uma doação anterior de Abel Salazar. Também por intervenção de Raul Teixeira foi possível incorporar na coleção do Museu o extraordinário conjunto de ilustrações a tinta-da-china, que Almada Negreiros produziu para a obra Fábulas, de Joaquim Manso.

A partir da década de 1960 são ainda dignos de menção os legados de Trindade Coelho (mobiliário e biblioteca), do Coronel Ramires (numismática) e de Eduardo Costa (mobiliário e pintura).

A coleção de trajes e máscaras constituída nos primeiros anos do século XXI, num trabalho coordenado pelo Prof. Benjamim Pereira, permite-nos um olhar detalhado sobre os Rituais de Inverno que tanta importância têm nesta região.

Arqueologia

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